Texto genial

Texto escrito por Marcelo Lourenço na Meios e Publicidade sobre a relação Portugal e Brasil dos criativos….fazia tempo que não lia tantas verdades no mesmo texto. gosto disso…sem medo!

leia aqui o texto:

IR PARA O BRASIL OU FICAR EM PORTUGAL?

Quer ir trabalhar em publicidade no Brasil? Aproveito para fazer outra pergunta: está preparado para trabalhar como se trabalha no Brasil?

Porque ser publicitário no Brasil não é para amadores. Ou para europeus que querem continuar a trabalhar como europeus.

No Brasil ninguém reclama ou faz manifestações contra o “trabalho precário”.

Lá, salvo raras excepções, toda a gente é um potencial trabalhador precário.

Nas agências do Brasil, quando um sujeito é incompetente, encostado, preguiçoso ou simplesmente não tem talento é mandado embora (as vezes, quando tem talento também). Ninguém fica indignado ou envergonhado por ter sido mandado embora: são coisas da profissão.

É muito comum na publicidade brasileira uma agência contratar um diretor criativo que chega a agência, reúne a equipa e diz “estão todos demitidos”. E toda a gente sabe que ele trará a sua antiga equipe e pronto. É assim a dança das cadeiras. Há claro, o reverso da medalha: se é mais fácil demitir, também é mais fácil contratar. E há sempre trabalho para gente talentosa e disposta a trabalhar.

E se trabalha muito. Mesmo. Em São Paulo, sair cedo é sair às 9 da noite (mesmo porque o trânsito antes das nove é impossível). Apresentar um headline – no Brasil ainda se faz muitos anúncios de imprensa – significa ter de apresentar ao seu chefe cinco, seis páginas de opções que serão devidamente reprovadas. E a sua única explicação será “quero ver mais”.

No Brasil, há pouco a figura do “cineasta frustrado”, do “sou copy mas na verdade quero ser escritor”, este tipo que infesta as agências e despreza a nossa profissão. Há pelo menos três gerações, os jovens querem ser publicitários, estudam todos os anuários (locais e internacionais) e vibram com as campanhas dos seus ídolos – conheci muita gente que tinha uma foto do Washington Olivetto colada na porta do armário (eu incluído). Lá não existe a situação típica do “já tenho contrato, não vou fazer mais um boi, se quiserem que me mandem embora”. O que traz pelo menos uma vantagem: os jovens criativos brasileiros têm a honra de trabalhar com profissionais de 50 anos, gente que trabalha muito, sabe mais ainda e com quem se aprende mais numa semana do que em anos numa escola de publicidade.

No mercado publicitário brasileiro seria impensável – como aconteceu no Clube dos Criativos de cá no ano passado – dar o prémio de melhor filme a uma agência espanhola (ou no caso brasileiro, uma agência argentina). Não só pela rivalidade mas porque isto seria mau para os negócios. Este é outro dos motivos que faz o Brasil ganhar tantos leões em Cannes: todo o mercado encara o Festival como um investimento, quanto mais agências brasileiras ganharem, melhor para todos. Algo como alguém de Portugal a apontar a

campanha da Livraria Ferin (em 2003) como “fantasma” e impedir Portugal de ganhar o Grand Prix (vejam bem, o Grand Prix) seria impensável no mercado brasileiro.

“Picar” campanhas no Brasil também já saiu de moda há mais de 20 anos. Acidentes acontecem, coincidências também, mas o “picanço” descarado (aquele que toda gente já viu a referência e sabe de onde veio) já não sai mais impune no Brasil. Há carreiras que literalmente acabaram por causa de polémicas assim.

Por isso, se está preparado para trabalhar muito e provar o seu talento, literalmente, sete dias por semana, o Brasil está à sua espera. Há pelo menos meia dúzia de portugueses (e brasileiros que trabalharam em Portugal e resolveram voltar) a dar-se muito bem por lá.

Eu, que sou brasileiro mas adoro Portugal e acho Lisboa uma das melhores e mais bonitas cidades do mundo, proponho, humildemente, uma terceira opção: porque não ficar em Portugal e trabalhar como se estivéssemos no Brasil, como se o seu emprego dependesse da qualidade do seu trabalho (e não do seu tempo de casa)? Que tal deixar de ir à “manif” e ir para a agência criar a próxima campanha que vai mudar a sua carreira?

Posso dizer de experiência própria que há muitas oportunidades em Portugal – em quase 13 anos no país, só não fiz mais porque não fui capaz. E tive todo o reconhecimento que alguém poderia receber, sendo estrangeiro ou não.

Podem dizer que eu tive sorte – mas como diria o Cláudio Carillo (um dos grandes publicitários do Brasil), ter sorte dá muito trabalho.

Isso vale para quem vai para o Brasil e para quem fica em Portugal.

    • LAMP 3.0
    • 17 de Maio, 2012

    PUMBAS! Isto é que é arrotar as verdades!! Concordo cada letra desse texto!

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